domingo, agosto 21, 2011

uivo

AAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, maio 06, 2009

Entre silêncios

Creio que não será nenhuma surpresa para os que ainda persistem em visitar esse blog (se é que tais existem) dizer que meu entendimento sobre o mundo anda meio obscurecido. O silêncio sempre pode ser consequência das incompreensões. O fato é que tenho ficado sem palavras para essa fotografias escritas da realidade.

Parece-me que estamos num tempo de desconstrução de ilusões. E isso, para mim, reina como um buraco negro de palavras e sentidos. Ou reinava.

Mas isso, provavelmente, não é uma ressurreição. Devo me entregar logo ao silêncio, novamente.

É engraçado como é exatamente o princípio desse "tempo" que nos trouxe aqui. Poderia dizer que esta foi minha primeira desilusão importante na vida. Quem dira... ela me deu voz, ânimo, sede de respostas através da exposição constante das minhas perguntas. Inspirou-me para buscar um outro reduto de sentido acerca do mundo dos homens não só por ter provocado uma reação de persistência na busca do ideal a partir de outros caminhos, mas também por ter se tornado no objeto para a formulação das muitas questões que protagonizaram minha pesquisa acadêmica nos últimos anos.

Mas, aos olhares atentos, os mitos se desfazem. Aqueles que são pessoas, enfim, não passam de pessoas, cheias de defeitos e incongruências. Aqueles que são abstrações, apresentam-se demasiadamente hipócritas no mundo de aparências que vivemos hoje.

Diante de tantas insatisfações, por que o silêncio, então? Também não sei explicar. Acho que agora, além das respostas, faltam-me as perguntas.

E, apesar do tom que têm minhas poucas letras, não me sinto mais triste nos últimos tempos. Meus tempos de tristeza profunda estão sim no meio desse grande silêncio, mas já se inscreveram no passado. Passo por um momento, cetamente breve, de degustar certa serenidade. Aproveito isso para ler os que fotografaram muito antes de mim, para aprender os códigos de outras linguagens e para curtir alguns poucos prazeres do corpo.

Um dia, alguma luz deve voltar.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Manifesto de apoio a Emir Sader

Quem desejar assinar o manifesto, escreva para solidariedadeaemirsader@hotmail.com.

Pra quem não sabe, Emir Sader é sociólogo,Professor da UERJ, colunista da Agência Carta Maior, e foi condenado dias atrás a cumprir pena em regime aberto (substituível pela prestação de serviços à comunidade ou entidade pública) e a perder seu posto de professor na Universidade, por ter publicado, em sua coluna, um artigo respondendo às seguintes declarações de Jorge Bornhausen sobre o PT:

“A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos”
Segue a íntegra do manifesto, liderado por Antônio Cândido, que está circulando por listas de e-mails e que sugiro que circule pelos blogs também!

A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 11ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu.

O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em
virtude de artigo publicado no site
Carta Maior, no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: "(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado".

Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária, que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças.

Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.

Antonio Candido
Flávio Aguiar
Francisco Alambert
Sandra Guardini Vasconcelos
Nelson Schapochnik
Gilberto Maringoni
Ivana Jinkings

terça-feira, outubro 10, 2006

A propósito ...

... também na Novae, essa excelente e recomendável revista eletrônica, um texto brilhante do Chico Vilella vale a pena ser lido por aqueles que tiverem tempo e fôlego. O que vem por aí, traz uma visão lúcida, crítica e posicionada do momento político atual.

Mais drops eleitoral ...

Sem muito o que dizer, deixo algumas boas que andam pululando em minha mail box.

Da Novae, Diagonóstico do Debate na Band.

"Geraldo Alckmin, à revelia do que até então aparentara, apresentou-se como um misto de Carlos Lacerda e Fernando Collor. O pior de ambos: a agressividade compulsiva de Lacerda e a arrogância de Collor. A agressividade inquisitiva de Alckmin, até para fazer perguntas insossas e que mal conseguia concluir, não parecia de Geraldo Alckmin, o imperturbável. A ostentação de uma superioridade humilhante lembrou muito pouco, se chegou a lembrar, o Geraldo Alckmin até então apresentado aos eleitores, e muito o Collor do debate com Lula."
Janio de Freitas, na Folha de São Paulo.


"É clara sua admiração pelos militares, pelos quartéis, pelo Exército brasileiro, cuja defesa assumiu no debate da Bandeirantes, ao considerá-lo prejudicado pelo orçamento pífio. O candidato tucano quer um Exército mais equipado, mais forte, mais aguerrido. Até parece que têm saudades dos tempos da tortura, observou Lula durante o debate. Aliás, onde estava Alckmin durante a ditadura?"
Mino Carta, em seu blog.

Mas foi do texto do Ziraldo que eu mais gostei!!! Segue para o deleite ou para a crítica:

Sábado, 07 de Outubro de 2006, 00h01
ZIRALDO - Porque eu vou votar no Lula

Segundo o Mauro Santayana, que não nasceu em Minas – como o Itamar, que nasceu no mar –, mas uma instituição mineira, a gente tem que ter muito cuidado com paulista.

É claro que estou tratando a coisa como uma brincadeira, somos todos brasileiros (meus seis netos nasceram em São Paulo, a esposa do meu filho e os maridos de minhas filhas são paulistas e estou
muito feliz com essa arrumação).

Como em nossa História, porém, nós, mineiros, andamos de pinimba revolucionária com a paulistada, as lendas correm soltas. Os cariocas diziam que mineiros compravam bondes.

Compravam, sim, confirmam alguns mineiros mais espertos; mas pra vender pra paulistas. Conta-se também que mineiros nunca se importavam de ver seus times sempre perdendo para os times
paulistas.

E explicavam: "Futebol nós perde; o que nós num perde é revolução." Segundo o Mauro, que explica como a frase que vou citar surgiu – história da qual me esqueci –, a rapaziada de Minas mais próxima da fronteira com São Paulo avisa pro resto da mineirada: "Paulista, nem à prazo nem à vista!"

Taí o Fernando Henrique Cardoso que não deixa a mineirada mentir, não é mesmo, Itamar? Bem, depois de ler esta introdução e ver lá em cima o título do artigo, os mineiros que me leêm neste
instante e para quem um pingo é letra já perceberam onde quero chegar.

Pra simplificar, antes de entrar em considerações é só lembrar ao meu povo – mineiro, como vocês sabem, chama o povo lá de casa de povo – que nós, o Brasil inteiro, ficamos, a esta altura, entregues a duas possibilidades paulistas: ou entra o Álck'min (cujo sobrenome é um desrespeito a Minas, terra dos alquimíns de Bocaiuva) ou entra o Lula que, no fundo, é um metalúrgico paulista que venceu na vida.

Nunca podemos nos esquecer de que, quando FHC assumiu, o projeto deles era o de ficar 20 anos no poder. Dentro do plano, tiveram a cachimônia (adoro esta palavra!) de inventar o acontecimento mais antiético da história da República brasileira: a reeleição.

Ela foi um sujo golpe às instituições, uma medida que nem os militares da ditadura tiveram a coragem de perpetrar, realizada em causa própria – com o principal beneficiário no poder – e conseguida da maneira mais desonesta de que se tem notícia: comprando, por preço nunca sabido, o voto dos deputados que, sem que a imprensa brasileira se escandalizasse ao nível do que se escandaliza hoje, começavam a desmoralizar mais ainda o nosso tão desmoralizado Congresso. Tudo começou com essa gente. E eles querem voltar ao poder.

"Non pasarán!" – os mineiros têm a obrigação de dizer. A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo. A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.

As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder). Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.

Mas isso é outra história. O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão – vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo – e o Alckmin é da Daslu.

Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros – depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique – vamos agora eleger o Alckmin.

"Um erro, nós admitimos, dois, não." – como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.

Tenho certeza de que o Aécio está no palanque apoiando o Alckmin por uma questão de lealdade ao seu partido – onde ele me parece um estranho no ninho, mas já que está lá... – e não por convicção.

Ele sabe que Lula tem que ganhar disparado em Minas neste segundo turno para evitar que Alckmin assuma a presidência e mele o projeto nacional de ter o Aécio como presidente do Brasil no próximo pleito.

Então, é isto: o Aécio está falando que é pra gente de Minas votar no Alckmin. Mas, todo mineiro sabe que isto é como aquela velha anedota da rodoviária: "Ocê tá dizendo que vai pra Manhuaçu pra eu achar que ocê vai pra Manhumirim, mas, ocê vai é pra Manhuaçu, mesmo".

Ou seja, ele tá dizendo pra nós votá no Geraldo, mas é pra nós votá no Lula, mesmo. Para aplacar a consciência dos possíveis eleitores do Lula que não votarão nele com muita alegria, prestem atenção: independente das razões que dei até agora pra nós, mineiros, votarmos no Lula, tenho outras razões mais consistentes.

Todo mundo fala do escândalo da corrupção no governo Lula. É realmente assustador, nunca vimos pessoal mais incompetente, mais desastrado, mais canhestro e – vamos lá – mais desonesto.

Quer dizer, mais desonestos já vimos, sim. É só lembrar que a maioria dos escândalos que são atribuídos a estes melancólicos sindicalistas da tropa do Lula, esses peleguinhos de quinta ordem, sempre foram frequentes em administrações anteriores, só não tiveram tanta visibilidade como têm agora.

Muitos dos escândalos que se creditam à administração Lula começaram no governo anterior, como o escândalo dos sanguessugas – cujo teor de gravidade pode ser medido pelo valor atribuído ao dossiê que o denuncia – e a fabulosa aventura do Marcos Valério.

Agora tudo se denuncia, tudo se apura, ainda que tudo vá ficar por isso mesmo, mas vejam um detalhe: a turminha do Lula, meus amigos, é descartável! Eles são ladrõezinhos de m. dos quais o país pode se livrar com um peteleco. Vai ser fácil ficar livre deles.

O que nós nunca conseguiremos é livrarmo-nos da oligarquia brasileira, dos bornhauses da vida, dos jereissatis, dos ACMs, dos ricos paulistas que já tiveram a coragem de confessar: "Somo todos corruptos!"

É essa gente que herdou as capitanias hereditárias e que está montada no povo desde que os portugueses chegaram aqui. É essa gente que construiu a parte indecente da história do nosso país. É essa gente que fala em ética, mas acha que aceitar voto de qualquer um correto.

É essa gente farisaica que pensa que é melhor do que o povo do Lula. Mas, não é. Temos que dar mais uma chance a este segmento da sociedade que chegou a poder com o Lula.

Eles estão sendo minados o tempo todo, mas, pelo menos, são outra gente. Não quero de volta os hipócritas da paulicéia desvairada. Prefiro o
messianismo sertanejo do Lula.

terça-feira, outubro 03, 2006

Resposta a um amigo, em tempos de ressaca política

Hoje recebi o seguinte e-mail vindo de um grande e velho amigo:

PESADÍSSIMO, MAS COM A CATEGORIA DE QUEM SABE FALAR
Joelmir Betting pegou pesado!!!

Se beber não dirija.
Nem governe!
Alkmin pode ainda não ser o candidato ideal... mas é a única solução para tirar O vagabundo e sua corja da "presidência".
"Até aqui, em pouco mais de 40 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 102 viagens ao mundo.
Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem contar, ora pois, as até aqui, 286 viagens pelo Brasil.
Hoje, dia 06 de junho de 2.006, ele completa 397 dias fora do país desde a posse.
E pelo Brasil, no mesmo período, 617 dias fora de Brasília.
Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: exatos 1.014 dias fora do Palácio, em exatos 1.230 dias de presidência.
Eqüivale a 82,5% do seu mandato fora do seu gabinete.
Esta é a defesa da tese de que ele não sabia e nem sabe de nada do que acontece no Palácio do Planalto.
Governar ou despachar, nem pensar.
A ordem é circular. A qualquer pretexto.
E sendo aqui deselegante, digo que o presidente não é (nem nunca foi) chegado ao batente, ao despacho, ao expediente.
Jamais poderá mourejar no gabinete, dez horas por dia, um simpático mandatário que tem na biografia o nunca ter se sentado à mesa nem para estudar, que dirá para trabalhar."
Esse é o tipo de argumento que pede uma resposta enfática e até mesmo romantizada. Resolvi publicar a minha já que ela não se dirige especificamente ao amigo que enviou-me tal texto, mas ao seu autor, seja ele o Betting ou qualquer outro. Faço dessa resposta parte da declaração de meu apoio crítico ao Lula no segundo turno.

Querido amigo! Peço-te, antes de tudo, que não leve a mal minha longa resposta, mas eu não poderia deixar de responder e criticar o argumento da mensagem que acabas de me enviar. Em primeiro lugar, quero deixar claro que respeito imensamente teu voto, sustentando a certeza que a democracia se mantém acima de tudo pela liberdade de escolha, de "tomada de partido" e, sobretudo, de expressão. E é sobre a mesma liberdade que pauto meu direito de responder-te, manifestando meu repúdio não à tua escolha, é claro, mas ao tom falacioso e preconceituoso do texto atribuído ao Joelmir Betting. Penso que desse jornalismo a democracia brasileira realmente não precisa.

Igual a ti e a maioria dos cidadãos brasileiros, eu também estou indignada diante de todas as denúncias de corrupção vindas à tona nos últimos quatro anos. Como petista de "carteirinha" (e tu, conhecendo-me há tantos anos, sabe mais que ninguém da minha herança política-partidária), chorei e lamentei muito os rumos tomados pela ala majoritária do PT, que se aliou a qualquer um em nome de sua sustentatibilidade no poder e assistiu quase passivamente alguns de seus quadros mais antigos e preponderantes se corromperem e se entregarem à lógica do "os fins justificam os meios". Tudo isso é, sem dúvida, revoltante e foi por repúdio a essas atitudes que rasguei minha filiação, literalmente. Contudo, se foi justamente uma postura crítica que me manteve por tantos anos "petista", é com esta mesma postura crítica que avalio o atual momento de sucessão presidencial.

Assim, sem querer questionar a legitimidade de um voto no Alkmin, vejamos com um "pé atrás" a fala do Betting. Ora, num cenário mundial "globalizado" (apesar de todas as possíveis críticas a tal globalização), onde as fronteiras geográficas perdem cada vez mais a importância, como é possível governar um país engaiolado num gabinete? Tão melhor que o Lula tenha viajado para além da América do Norte, procurando manter bem ou mal uma postura crítica em relação ao avanço imperialista dos EUA e, por outro lado, buscando fortalecer nossas relações com os países vizinhos e com os países com os quais temos uma ligação histórica e cultural, como muitos dos países da Africa, por exemplo. As gafes e trapalhadas cometidas nessas inúmeras viagens não podem de modo algum anular a validade da política internacional levada a cabo pelo Governo Lula que, inscrita na questionável lógica econômica liberal, reestabeleceu a credibilidade do país diante dos investidores, reduzindo o Risco Brasil e trazendo-nos mais capital estrangeiro. Aliás, coisa que FHC, mesmo tendo viajado tanto quanto o Lula, não conseguiu fazer, entregando o Brasil em 2002 nas beiras de uma recessão.

Quanto às viagens dentro do país, não vejo como algo a ser lamentado, mas, ao contrário, como algo a ser comemorado, pois significa que o Presidente se fez Presente. Se "todo artista tem de ir aonde o povo está", quem dirá um governante. Pode-se, portanto, considerar louvável que Lula tenha relativizado o eixo "Rio/São Paulo" e se embrenhado nas entranhas do país. Não é à toa que o grosso de seu eleitorado esteja no Norte e no Nordeste. Afinal, sem menosprezar nossas mazelas, aqui no Sul, sai governo entra governo, estamos sempre numa situação bastante privilegiada.

No meu modo de ver, a grande diferença do Governo Lula em relação ao Governo FHC, o qual pretende-se retomar com a vitória de Alkmin, é que se tratou de um governo voltado mais às massas, e não às elites; mais aos pobres, e não às classes média e alta. Atacar o Governo Lula pelo repúdio aos altos impostos e à supervalorização da moeda em detrimento do crescimento de alguns (poucos) setores da economia, como faz o Alkmin, é o suprasumo da defesa de um Governo voltado às classes sociais mais favorecidas. Temos que lembrar, sempre, que maioria da população brasileira é declarada isenta de Imposto de Renda, sendo verdadeiramente beneficiada com a Bolsa Família e com o aumento do salário mínimo (que dos menos de U$ 90 durante a era FHC passou a quase U$ 200 em 4 anos de Lula). Ah! Mas o Bolsa Família é "assistencialismo"? É sim, e daí? Melhor do que isso, é política social. O Brasil precisa de programas de combate a miséria e de inclusão social. Somente com esse tipo de programa é que as famílias podem manter seus filhos na escola e vislumbrar alguma ascensão social. E outros programas, como o Primeiro Emprego, o PROUNI e o Brasil Alfabetizando são a contrapartida para tal "assistencialismo". Portanto, é muito bom que que Lula tenha passado 82,5% do seu mandato fora do seu gabinete, da sua torre de marfim, encarando frente a frente os nossos dilemas e buscando "pessoalmente" a solução para eles, seja em meio aos próprios brasileiros com suas mais diferentes feições e peculiaridades, seja em outros países que partilham de problemas semelhantes e/ou possam nos fornecer soluções eficazes para as nossas mazelas.

Sei que posso estar incorrendo numa visão romantizada. Contudo, o que quero efetivamente dizer-te é que para apenas "despachar", bastam algumas horas. Mas, pra GOVERNAR, é preciso suor, desprendimento e muito trabalho em todos os cantos onde se há "o que fazer". Para tanto é preciso se deslocar, sim! E é isso que a maioria dos cidadãos brasileiros fazem, todos os dias. Por isso, é de extremo preconceito o argumento de que "jamais poderá mourejar no gabinete, dez horas por dia, um simpático mandatário que tem na biografia o nunca ter se sentado à mesa nem pra estudar, que dirá para trabalhar". Não se trata de uma afronta a um Presidente que antes de ser presidente é nordestino que, fugido da seca num pau de arara, tornou-se torneiro mecânico, sindicalista e, num raro golpe de luta e de sorte, chegou à Presidência da República. É, acima de tudo, uma afronta ao brasileiro que desloca-se, todos os dias, em busca do que fazer, sonhando com a possibilidade de dar de comer aos seus filhos, sonhando com um pedaço de terra para ter onde plantar, sonhando com um teto que abrigue sua família, sonhando com o dia em que alcançará a verdadeira cidadania. Estes são os verdadeiros construtores desse país, que não estudam ou não estudaram porque o trem das oportunidades não passa na frente de todas as casas, infelizmente. Eles não são "vagabundos", mas sim, verdadeiros trabalhadores.

Se Lula diz não saber de nada que acontece no Palácio do Planalto, isso é um realmente problema, um grande problema, mas não se deve em nada ao seu trabalho "fora do gabinete", podes ter certeza disso! E se ele cometeu erros enquanto governante, esses não se justificam pelo fato dele não ter diplomas, pois não tenho dúvidas que aqueles que mais conhecem e representam esse país são aqueles que menos são alcançados pelo sistema educacional.

Querido amigo, não se aborreça com essa mensagem. O fato é que eu mesma, quanto mais estudo e acumulo títulos, mais me sinto incapaz diante da imensidão de problemas que vive o Brasil e por isso me indigna esse tipo de argumento. Não é por aí que se critica um Presidente e não é por aí que se justifica um voto. Como o texto chegou a minha caixa postal, senti-me no direito e no dever de manifestar-me, pois, como diz o Rappa numa canção que adoro, "é pela paz que eu não quero seguir admitindo".

Beijos carinhosos,
Elisa

segunda-feira, setembro 04, 2006

Drops eleitoral

Não podia deixar de divulgar um trecho arrebatador da entrevista de Jorge Bornhausen, o "dono" do PFL, à Folha de São Paulo hoje, segunda-feira. Em meio a defesa própria e do seu Partido como bastião da ética e da moralidade no cenário político atual, ele nos diz:
Fomos governo sempre que ganhamos a eleição. O PFL nunca foi um partido adesista. Fomos governo com Fernando Henrique porque demos o vice na chapa, nas duas ocasiões. No governo Sarney, idem. No governo Collor, apoiamos no segundo turno. Não aderimos em momento algum, sempre participamos do processo eleitoral.
É com esse currículo que o pefelê mór vem, nessa entrevista, dizer-nos que o "seu" Partido não pediu o impeachment do Presidente Lula diante das denúncias de "caixa dois" na campanha eleitioral de 2002 porque, na possibilidade do processo ser arquivado monocraticamente pelo presidente da Câmara, estariam dando-lhe (ao Lula) um atestado "indevido e injusto de honorabilidade, que tem responsabilidade por culpa e dolo por tudo que ocorreu". Parece piada, não?!?

Sem querer justificar qualquer ação ou omissão indevida por parte de Lula e do Governo, é RIDÍCULO esse papel ao qual está se prestando o PFL e o PSDB, que apostam veementemente numa amnésia absoluta dos eleitores. Aliás, deve-se ressaltar que, na mesma entrevista, Bornhausen já canta seu divórcio dos tucanos no caso de mais uma vitória petista, para que cada um faça "oposição" ao seu modo (imaginando a vitória tucana nos Estados de Minas Gerais e São Paulo e vislumbrando candidatura própria do PFL nas eleições de 2010). Ha ha ha!!! Realmente, eles estão beeeeeeem preocupados com o futuro do Brasil. Nesse sentido, o auge da entrevista é quando ele diz: para nossa felicidade e para a desgraça do Brasil, o governo optou pela corrupção e pelo mensalão. Tudo serviu para que o PFL fosse "depurado". Ufa! Afinal de contas, seus correliginionários que se envolveram em "mensalões" e "sanguessugas" são aqueles que, coitadinhos, foram "cooptados pelo governo", caindo nas garras dos xerifes e bandidos de estrela vermelha no peito. Faz-me rir Sr. Bornhausen!

Pra quem quiser conferir a entrevista, o link é esse, mas é exclusivo para assinantes.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Os absurdos que a ciência te traz

Estava começando a ler um autor que consta na bibliografia de uma das minhas disciplinas: Vilfredo Pareto. Ainda nem sei como ele vai discutir as elites e o uso da força na sociedade, mas deparei-me com o seguinte trecho:

"Suponhamos que, em qualquer ramo da atividade humana, seja atribuído a cada indivíduo um índice que represente um sinal de sua capacidade de maneira semelhante ao modo que se dá nota às várias matérias dos exames escolares. Ao tipo superior de advogado [de onde ele tirou isso???] será dado nota dez, por exemplo. Ao homem que não consegue um cliente, será dado nota 1 - reservando-se o zero para um homem que seja um completo idiota. Ao homem que fez seus milhões - honestamente ou não, conforme o caso - daremos dez. Ao homem que ganhou seus milhares daremos 6. Os que apenas conseguem livrar-se de ir para um asilo de indigentes terão nota 1, reservando-se o zero para os que não o conseguiram. Para as mulheres [olha só o que vem aí] "na política", como a Aspásia de Péricles, a Maintenon de Luís XIV, a Pompadour de Luís XV, que lograram enfatuar um homem de poder e ter uma parte na carreira do mesmo, daremos alguma nota alta, como 8 ou 9 [10 não pode pra mulher]; para a prostituta que satisfaz meramente os sentidos de um homem assim e não exerce nenhuma influência nos interesses públicos [mas aguenta discursos desse tipo de homens como Pareto], daremos zero [absurdo!!! E a história dos clientes nas frases anteriores???]. Para um esperto velhaco que sabe como enganar pessoas e conseguir manter-se fora da prisão, daremos 8, 9 ou 10, de acordo com o número de moambas que roubou e da quantidade de dinheiro que conseguiu extorquir." (PARETO, V. As Elites e o Uso da Força na Sociedade, p. 71)

Por aí vai. O pior é que o cara emenda com uma frase assim:

"Em resumo, estamos como sempre recorrendo à análise científica, que distingue um problema de outro e estuda cada um separadamente." [????????] (p. 72)

Com base nisso, alguém poderia analisar cientificamente o indivíduo Pareto e dizer que ele é um débil mental. Mas qualquer julgamento é precipitado nesse início de leitura. Vamos esperar que o restante desminta todo o começo.